Não

O silêncio da sua ausência parece tomar conta. O ensurdecedor som da sua não chegada, as notificações dos seus não emails, a procura pelo seu tato sem sucesso. Você some na multidão por entre pessoas que sequer conheço, vive uma vida da qual não faço parte. Faz parte. Mas o que dói é o não você. É o excesso da falta, é o não saber.

Descompensada, caminho até os lugares por onde passamos. Todos imaginários, talvez. Ando e circulo por eles, buscado pistas suas. Mas só encontro não pistas, não sinais. Me lembro de você me puxando com força pro seu colo, que logo em seguida se ausentou também.

O formato das mãos são parecidos, a minha e a sua. Mas só ficaram as não mãos. Segurei as suas quando você pediu. E dançamos. Agora só resta a não dança.

Tentei, em vão, te encontrar. Mas só resta o não encontro. O ar condicionado da sala desligado, o som da chuva lá fora e um desejo de não desejar. Em vão.

Me resta, então, sonhar com o dia em que a porta se abre. Por enquanto, só existe a fechadura. Espero como quem não se importa. Espero pelo vento, pelo suspirar do alívio. Pelo dia, talvez, em que sejamos mais sim do que não.

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