O mergulho

Estava quente. Era inverno, mas não parecia. Estava tudo muito quente. Era um cheiro de verão no ar, incontrolavelmente delicioso. As flores davam à brisa um significado diferente. Tudo parecia brilhar mais. O sol incandescente misturava seus raios às flores e frutas no pé. E os sorrisos aumentavam, então, proporcionalmente.

Tudo estava quente. Foi então que resolvi mergulhar. Não de cabeça. Mas pulei, com os pés pra baixo. Esperava tocar as pedras no fundo, parecia raso. Não mergulhei de cabeça. Só pulei, mas as pedras não chegavam e ergui os braços. Fechei os olhos, tudo foi cobrindo minha cabeça. Direcionei a mente para o momento, ainda esperando tocar as pedras com os dedos dos pés. Não chegaram.

Nos arrependeremos um dia? As pessoas, de braços erguidos, se jogavam num lago profundo. Já não se jogam mais. Elas já não pulam de cabeça. Fazem como eu: levantam os braços e só pensam em tocar o chão. Nem sempre tocam, como não toquei. E voltei nadando à superfície novamente, abrindo caminhos com o antebraço. Com força e ainda de olhos fechados, fui voltando à superfície.

Ainda bem que não me joguei de cabeça. Não foi um mergulho, foi um salto. Segui de pé. Cheguei à superfície e suspirei aliviada.

Ora, já não era mais o mesmo suspiro pré-mergulho.

E tudo foi breve, então.

Findou, pois.

Terminou.

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