Síntese

Tem horas que a vida engasga. Empaca, trava, para. Dá stop, ctrl + alt + del, esc. Tem horas que a gente encena, tenta, atua. E não rola. Tem horas que a vida não anda, simplesmente cola no chão.

E aí a gente empurra, puxa, levanta, solta. Desrespeita a gravidade, as leis, as certezas. A gente ousa e se joga. A gente sabe o risco, a falta. Mas ousa.

O devir do amor faz a gente sentir no braço cada dor. Um laço apertando, a lâmina cortando, a carne se abrindo.

O andar na claridade não apaga as lembranças e as borboletas no estômago voltam todas ao casulo. A estranheza das cores, um abrir de olhos que há muito adormeciam. O ardor do reabrir e rever tudo.

São como faces jovens em fotografias velhas. Como dados de toda sorte. Como síntese.

Soluça, respira, seca as lágrimas e anda de novo, tropeçando nas regras. Admira o além-mar como se pudesse vê-lo por completo. Ledo engano, não há como ver. É como tentar descobrir o que sente um coração que não é o seu.

Caminhando, então, sorri. E pensa: engasgou, não adianta empurrar.

E tudo isso pra dizer que tem horas que é só você.

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