Hipocondria

Há um cheiro no ar. Daqueles que deixam gosto e até fazem arder as narinas. É um cheiro natural, mas que seca os arredores. Ele ronda por onde passa o rapaz, como um perfume que acompanha o pós-banho. Há um cheiro no ar. Desses que fazem amargar o paladar. Desses que deixam dúvida, conflito. Há no ar um quê de complicação. Incompletude, complexidade.

Ele esbarra no que anda, bagunça tudo. Deixa tudo se desfazer em fumaça de óleo diesel. Caminha largado, sem esperar, sem desesperar. Arranha os sons e por si só caminha. Despenteia a natureza, segura firme no ato e segue bagunçando. Um cara bagunçado. É o cheiro dele o que ronda. Ou o cheiro da dúvida, da questão, da solução, da pergunta sem resposta. Fora interrompida a tempo.

É da vida sofrer. Sabe disso e abraça. Sorri, dança, canta e abraça. Sofre, desabafa e abraça. É da vida sofrer, arrastar o mundo nas costas sem ninguém saber. É da vida esperar, dividir, errar. É de perguntar também. Sem resposta.

Abre uma porta. Ali, o paraíso, luz, calor no peito. Discos, livros, discos e mais discos, sensações, calma. Não quer calma. Não entra. Arromba uma porta depois de tanto se esforçar. Um casebre remendado, de madeira podre, pura treva. Não tem remédio. Entra e espera. E espera. Espera. Morre.

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