o que não tem nome

O derradeiro suspiro ela solta de leve. Há tempos não sabia mais como se comportar. Liquefez-se em muitas versões desde as noites em que tateou as trevas. Depois fez-se em luz, brilho e sorriso. O deleite a que submeteu-se naqueles instantes poderiam custar-lhe caro. Ela não se importou. Não se importa.

De certa forma a entrega é plena. Dói, é bom, é custoso, traz prazer. Envolvida entre pernas, pés e o calor do corpo não pode envolver-se por dentro. Entre lençóis, fumaça e um escuro agasalhador, o coração não tremia. Não havia tempo pra nada além do hoje.

Ver o mundo lá fora após aquelas doces horas foi incomum. Trouxe confusão, silêncio, distância. Encostava-se e fazia morada passageira naqueles ombros. Um afeto impermanente restaria dos instantes de entrega. Começa a pensar se a atitude fora correta. Começa a se importar.

Enrosca-se em mordidas, arranhões, carícias. Sente as pernas alisadas por mãos que se vão. Ela questionara, antes, se havia perigo. A resposta era não. Não houve engano, o perigo não existe. Não houve mentira, o perigo perpassa o viver. Não houve mentira, os danos seriam amenizados.

Mas não pode-se dizer que não haveriam danos. Para ele, nada mais ordinário. Um ébrio habitual de situações como essas. Banal, trivial, quase vulgar, acostumou-se a viver sob a armadura dos que não mais enredam histórias profundas.

Ela, então, decidiu providenciar a couraça depois. Mas não conseguia. Sabe o risco, só não sabe viver de superfícies. E despediram-se planejando mais. Mais do mesmo, ela se pergunta se vale. Mas quer.

O transitório parecia não fazer mais sentido. Mas vai precisar fazer. Ela procura sentido, então, no que é distância, no que não se aprofunda, no que não segue e não muda. Ela prefere o risco, sempre. Mente pra si, sem poder.

E avança. Se arrepende. Mas não, o que ficou não vai sobrar. Ela junta, soma. Ser livre tem preço e paga-se muito a cada minuto. É liberdade. É escolha e não é.

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