só alguém

Ela sempre diz o que sente, mesmo que isso pressione, magoe, doa, faça chorar, sorrir, amar, odiar. Ela é isso. E é o que tem pra oferecer. Nem mais, nem menos. Essa intensidade é toda dela.

Lembra daquele amigo dela de quem você tinha ciúmes? Aquele com quem ela conversava pela internet e eram conversas sinceras demais pra você? Não sabe? Aquele super bonitinho e que tirava uma ondinha com você quando encontrava? Aquele que mandava você controlar os ânimos dela. Que destacava sempre o furacão que você tinha nas mãos. Que te mandava tomar cuidado. Que te alertava pra insensatez do sexo dela. Esse mesmo, que a fazia rir às gargalhadas nas pouquíssimas vezes em que falava com ela. Se esforça um pouquinho pra lembrar, vai. Aquele que ela sempre achou um gatinho e que namorou boa parte das amigas dela da faculdade. Exatamente aquele de quem ela sabia tudo. De todas as fofices que fazia pra agradá-las, de como era na cama, do tamanho do pau e do que ele fazia no sexo. Ela sabia de tudo e a curiosidade de saber como seria não acabava.

Lembra de quando ela te dizia que não tinha nada a ver? Pois é, tinha. No fundo, tinha. Mas era bem lá no fundo. Um tesão absurdo e reprimido por um amor que talvez nem valesse tanto assim. Tinha muito a ver.

Um dia, voltando de uma festa, aconteceu. Uma conversa rápida pra saber como seria e ponto. Não era nada, não envolvia qualquer sentimento. Envolvia muita vontade de concretizar aquilo. E concretizaram. No sofá, no chão, na cama. Seu único medo era gritar alto demais. Pessoas dormiam em todos os quartos da casa. Viu amanhecer em um êxtase que não sentia há algum tempo.

As tensões do dia a dia se foram em uma sequência de gemidos insanos. O suspiro foi o último alento. E sabe o pior? Ela nunca estava satisfeita. Era intensa demais, assustadoramente clara. Quase um ímã encontrando seu pólo oposto. Precisou deixar ir, no maior estilo delivery.

Rolou. E de novo, e de novo e de novo. E assim foi. Ela está anestesiada. Já não se envolve. Já não sente nada além do que pode lhe trazer prazer. Não leva adiante discussões que não terminem num beijo quente. Não começa conversas que não acabem na cama.

É o que ela pode, agora, oferecer para o mundo. Amor pra dar e vender. E sem esperar nada em troca. E sem dia seguinte, sem hora seguinte. Só minuto a minuto. Um de cada vez, vai derrubando seus medos. Ficam os sonhos, se vão as memórias e lembranças. O álcool quase sempre faz parte e ela não abre mão. Deixa o ar mais solto e a vida menos séria.

Não quer mais ser levada tão a sério. Não leva mais ninguém tão a sério. Deixa sentir. E sente, goza, suspira. Acorda e vive mais.

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