sobre o nojo

Queria pisar nela. Esfregar na cara que podia conseguir alguém também. Fez isso porque não soube perder, não soube abrir mão, como também não soube ganhar. Ela estava feliz, encontrando, transando, beijando, em êxtase com a nova vida. Descobrindo o quanto é linda e desejada, o quanto perdeu se deixando abalar. Ela ganhava o mundo, as pessoas, os olhares. Tinha poder de novo.

Se irritou com a possibilidade de vê-la ser feliz nos braços de outros, de tantos outros. Se irritou em saber através do que ela mesma narrava, sem tirar nem por, sem medo de dizer. Se irritou com os versos que escrevia, cheios de sentimento. Se irritou porque não era mais o mesmo, porque não era por ele, nem pra ele.

Viu-a ser desejada. Viu-a gozar em outra cama. Imaginou, preocupou-se. Não se sentia preparado para tanto, mesmo sendo o dono da bola. Não soube agir, não soube conservar. Não soube crescer e nem ser. Apenas não soube. E não sabe. E não vai saber. Não é o tipo de pessoa que sabe por si. Apanha, sofre, chora. E não aprende. Porque gosta de se acomodar no sofrimento que lhe cabe. E merece.

O erro foi dele. Todo dele. Do início ao fim, errou. E não adiantava culpar os outros. Não mais. Não diminui sua culpa. Não o faz poder dormir tranquilo. Não da paz. E anula o fato de ser isso aí. De ser o que é. De ser o que. De ser.

Não merece dormir. Não merece conseguir mais dormir. Não merece o sono dos justos simplesmente por ser injusto, errado, sem cabimento, torto, ao avesso, imaturo. Nojento.

E ela vai continuar dando pra eles. Muito. Com força. Várias e várias vezes. De quatro, de lado, em pé, boquete, na biblioteca da UFF, no gramado do Gragoatá, na praia, na chuva. Porque é isso que ela é. E não vai fazer o que ele fez. Não vai colocar tudo a perder com o primeiro que lhe mostrar a genitália. Ela se arrisca, mas não arrisca os outros.

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