Entrelaços

Pernas entrelaçadas e as areias como cenário. O chão não está ali, mal sentem os grãos, parecem flutuar. O beijo é doce, calmo e ao som das ondas eles seguem se amando. O mundo girando, as crianças de rua ainda sentem fome, pessoas continuam tendo seus direitos negados. E eles lá, sentindo tudo aquilo apenas um com o outro. Um do outro. Um mundo aos pés que se cruzam como se precisassem se prender. Como se o primeiro vento fosse levar pra longe aqueles sentidos, os momentos, os instantes. O sol já se foi e não se sabe se volta. Pra eles pouco importa. São o sol um do outro.

O calor não é nem de longe motivo para se afastarem. 40 graus à sombra queimam os mais gelados corações. Os deles, quentinhos e doces, sentem uma brisa leve carregando a dor. Um sopro espetacular. Um afago aos ombros. Pés entrelaçados e mãos sentindo o batimento cardíaco. Pulsando como o centro de uma metrópole, flutuando como bolhas de sabão. Pétalas delicadas simbolizam o que sentem. Da mais fina beleza, do trato singelo, do afeto que emana o aroma escondido, do segredo guardado na raiz dos sentidos, do calor nutrindo, do frescor do orvalho, do amor.

O caule sustenta o que a raiz prende. Hidratação necessária para os 40 graus à sombra.

E aí chega a noite, leva embora o sol que trazem consigo. O tempo esteve ao lado deles. O destino é curto, o caminho é estranho. O amor se vai, esvai. Escorre, derrete, ganha formas antes impensáveis. Cansam.

O que outrora nutria os laços, agora afasta. Cortaram pela raiz. Desataram o nó. Seguiram em frente.

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