Believable faithful

Tantas coisas acontecem e achamos que nunca vão passar. A saudade da escola, a mudança de hábitos, o corpo mudando, o medo de escuro, a insegurança ao atravessar a rua. O primeiro fora, a primeira bebedeira, a primeira paixão. Tudo vai acontecendo sem qualquer controle mesmo de quem acredita controlar tudo.

Uma noite quente demais pra ficar na sala de aula, um amigo de bebedeira diz: esse foi quem roubou seu primeiro lugar. E ela, como sempre invasiva e afoita diz que nem conhece, mas já odeia. E o ódio nunca acabou. Começaram conversas, ele era tomado pela timidez. Ela, pela impulsividade. Tudo foi levando para uma relação atribulada, esquisita, sem perdão e sem amor. Amigos ao redor, bicicletas parecidas, gostos musicais. Se aproximaram e descobriram um gosto comum para além do gosto. Ela era fã desde pequena, ele apenas conhecia. Passou a ouvir, virou fã, virou assunto.

Estavam sempre juntos. Conselhos, risadas, cerveja, riscos e trapalhadas. Tentativa frustrada de iniciar amigos na arte da espionagem. Amigos sempre perto. Foram se aproximando cada dia mais. Ela continuava odiando a calma do rapaz. A calma fora tomada por uma paixão repentina. Ela tentou ajudar. Mas quem pode viver por ele as coisas do coração? Ajudou a esquecer via álcool, o caminho mais fácil. Viraram amigos. Uma coisa esquisita essa vida. Ela passou a entender que jamais o odiou, era curiosidade.

Um dia, em meio a uma distância causada por estudos e atribulações, em um domingo qualquer. Nunca foi um domingo qualquer. Ela tinha prova e a notícia veio a cavalo. Não pensou em outra pessoa, apenas pegou o telefone e perguntou. Era verdade. Desnorteados, não conseguiram se ver. Cada um chorando de um lado, um sofrimento sem fim. Viraram unha e carne. Andaram juntos, se reergueram. Um dando mãos, pés, braços e abraços ao outro. Conseguiram caminhar. A saudade apertava, eles se falavam, relembravam e o que era choro virava riso de novo.

Viraram unha e carne. Viraram boato na boca do povo. Sabiam tudo um do outro. Qualquer coisa era motivo pra conversar, rir e falar. Viraram cotidiano. E até no dia em que a menina viraria uma louca pouco compreendida, feliz e mulher ele estava. Aconselhou, riu, zoou, comemorou.

Tudo foi passando, chegou mais um dezembro. Um show do Pearl Jam veio pra lavar as almas. Sorriram, pularam, cantaram e não reconheceram a mesma música. Virou deles.

Ela passou no vestibular, comemoraram. Despediram-se e continuaram as vidas. Tudo aconteceu que pudesse separá-los, mas sem sucesso. Ela cresceu, a veia comunista saltou. Brigou, venceu, perdeu. E lá estava ele, pra cada etapa dessas. Era realmente difícil acreditar que os boatos não fossem reais. Era uma relação nunca vista. Era especial.

E sem pacto de sangue, sem amarras e sem julgamentos, tudo passou. Pessoas, coisas, bicicletas, dinheiro, mulheres, homens. Tudo passou. O tempo passou. Muito tempo passou. E seguem ali, lado a lado. Seguindo os passos do tempo sem rumo certo e sem saber onde vai dar. Mas sempre lado a lado.

O carinho. O amor é profundo e transcende a gente. É forte. É bonito. Leal. Fiel. São laços de concreto armado, titânio, grafeno. São os laços construídos. São fortalecidos. Tudo passou, e o que não passou vai passar. Mas eles… eles vão ficar. Um para o outro. Sempre. Faithful. We all believe it =)

faithful

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9 opiniões sobre “Believable faithful

  1. Antes gostaria de esclarecer algumas duvidas sobre o post,
    1- Ele se encontra em ordem cronológica?
    2- o que significa “Tentativa frustrada de iniciar amigos na arte da espionagem.”?
    3-“Ela tinha prova e a notícia veio a cavalo.” que noticia?
    4-“A calma fora tomada por uma paixão repentina.” essa paixão é antiga ou atual?
    5-“Era verdade. Desnorteados, não conseguiram se ver.” O que era verdade?
    6-“Sorriram, pularam, cantaram e não reconheceram a mesma música. Virou deles.” não entendi a parte final, qual é a música de vcs?

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