Esvoaça

E o que dizer diante daqueles que se escondem da felicidade? Não tem jeito, ela chega. Nos piores e melhores momentos, lá está ela. Em diferentes cores, valores, formatos, amores. Mas lá está, formosa e faceira, desfilando diante de nós. Há quem prefira apenas olhar. A moça é protagonista. Empurra, puxa, dança e grita pra ela. Sorri, não se intimida, mexe nos cabelos fazendo formatos dos cachos da infância, sem sucesso. Mas continua rindo. Olhos brilhando, copos se acumulam e a conversa não fica chata. A felicidade está lá, mais uma vez, diante dos olhos.

Os que fogem, perdem. Os que assistem, aproveitam. Os que participam, desfrutam. Os que protagonizam, devoram. Esse deve ser seu mal, todos os dias devora as pessoas com o desejo de quem vê amoras explodindo no pé. As cores do dia não ficam nunca opacas. Ela não deixa. Rebola, dança, brinca e voa com quem segura suas mãos. Vai ver o sol, perde a lua, mas segue criança uma vida de adulta perdida numa selva de sabores. Ela sente e se desilude a cada dia, mas lá está ela, a felicidade, impedindo qualquer mal de chegar ali.

A doçura é só dela. Há quem sinta, há quem perceba, há quem queira e quem prove. Ela deixa, não joga. Apenas brinca. E brinca. E brinca. E sofre, e ama, e desama, e odeia. Mas sempre está lá, a felicidade. O brilho das águas do Promirim. O som da escada de madeira. O cheiro do filtro solar. O gosto de amora. Os pés de tangerina. Os cabelos coloridos.

Ela não foge. Ela agarra, segura pela mão e sente ali sua chance de, mais uma vez, protagonizar. E acorda, e sorri. E vive. E é protagonista.

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