Saudade do significado de ser

Foi um encontro. Uma tarde ela estava lá, sem nada específico combinado, e surge a oportunidade de uma cerveja perto da praia. Ela se arruma rápido, coloca um sapato confortável e segue até lá. Abraça, senta, conversa, já foram duas garrafas e uma conversa tímida sobre os últimos dias. Então ele sugere uma caminhada. Andam até o final da avenida, ele carrega sua bicicleta e anda ao seu lado falando sobre as loucuras que já viveu. Era tanta experiência que ela sentia-se pequena. Os olhares por ele lançados davam de volta a ela a certeza de que era sim uma mulher. Eram olhares de desejo e bom humor. Risos e pensamentos estonteantes sobre o que poderia acontecer.

Chegam diante da tv. Uma cama feita, os dois sozinhos. Um programa qualquer na televisão, um frio nos braços arrepiavam a menina. Mas ela seguia firme. Queria estar ali. Esperou, conversou e bebeu mais. Já era álcool demais e ela então quis sair. “Você me leva até uma parte do caminho?” – perguntou. Ele diz bem baixo: – pode ser a maior loucura da minha vida, mas preciso. A frase não termina, os lábios estão ocupados. Assim como as mãos que a deitaram na cama, fazendo lembrar dos olhares e dos toques que aconteceram ao longo do caminho. Ela decidiu ficar. Abraçada e envolvida por tantos sentimentos juntos, se deixou levar. Sentia desejo, queimava por dentro e por fora. O frio já não existia e os arrepios eram de vontade. Ela queria, ele também. Segurava as mãos dela contra a parede em sinal de luta por aqueles segundos de loucura. Os dois queriam. Era questão de entrega e tempo.

Deslizou as mãos sobre a barriga dela e resolveu esticar o braço para sentir o que a blusa escondia. Um sutiã colorido e arredondado davam o exato formato dos pequenos seios. Ele queria ver. Sentia pulsar enlouquecido o coração da moça. Os dois queriam. E ele ousou levantar as roupas que aprisionavam o corpo rebelde. Ela deixou. E quis ver cada linha dos ombros nus do sujeito. Ela desejava e provocava para que ele investisse ainda mais. Foi até o zíper, local proibido para as que não se atrevem. Atrevida, deu conta de exibir o próprio corpo antes mesmo que ele fizesse. E foi além.

Os suspiros já incontroláveis ecoavam pelo ambiente. Havia gente no cômodo ao lado. Eles só se lembraram disso no dia seguinte. Faltavam poucas peças para o quebra-cabeça desmoronar em prazer. Já não sabia o que sentia. Ela apenas se entregou. Ele também. Sabiam exatamente o que fazer numa sintonia incrivelmente musicada pelos sons que emitiam. As peles combinavam, pulsavam, suavam. E assim seguiram noite adentro e afora. Sempre querendo mais. Com ou sem local, acontecia. Simplesmente se entregavam. Sintonia.

Ela com a cabeça em milhares de outros planetas conseguira desligar-se do mundo em horas de prazer inenarrável. Ele, com os problemas adultos que julgava ter, permitiu-se voltar à adolescência e fazer exatamente o que mandava o momento. Sentiram.

Ela segue com a cabeça cada dia em um espaço diferente do cosmos. Ele, com seus problemas de adulto. O encontro da menina-mulher com o rapaz-adolescente é sempre esse. Eles sabem o que acontece. Os dois querem.

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