Rumos

Ele vai te achar escrota. Mas são apenas travessuras de uma menina de coração leve, solto, quem sabe até perdido.  É estranho continuar fazendo coisas e pensando o que o outro fantasiará sobre tudo ao redor. Que diferença faz se foi um, se foram dois, três ou sete. Aconteceu rápido e desengonçado, mas ela gostou. Não estranhou e nem teve medo. Estava apenas anestesiada, deixou o tato fazer o que esperava, os olhos espontâneos, o paladar afinado para provar os novos gostos. E provou, sentiu, cheirou, tragou, gozou.

Por entre as pernas sentia  calor que não pensava que sentiria. Mas não teve medo, apenas foi. Simplesmente foi. Ardentemente foi. E queria mais, queria tudo. Ficou para depois. Pra ela não ha mais depois. O depois será agora, se houver de ser. Não espera mais. O ensejo do silêncio era o mesmo que vivera anos atrás.

Ardeu seu corpo inebriado pelas cores. Deixou arder sua pele esfumaçada. Deixou agir sua mente alcoolizada. Seguiu noite adentro dizendo e fazendo exatamente o que queria. A sinceridade nem sempre vem acompanhada da verdade. Foi sincera no momento, se expôs, mergulhou como sempre foi. A verdade ficou pra depois. Mas com ela não há depois. Preferiu a máxima de nunca deixar para depois o que apenas podia deixar pra lá.

Na semana seguinte foi rainha. Brilhou como nunca, foi dona do espaço e dos corações ao redor. Beijou quem quis, dançou sensual, mostrou não ter limites. E la se foram mais alguns sentimentos. Gozou, mentiu, sorriu, sentiu. Fechou os olhos, puxou pela camisa e fez o que quis. Alisou, mordeu, chamegou. Dançou. Ah, e como dançou.

E preferiu arranhar seus próprios sons. Sempre traçou seus próprios rumos. Escolheu escrever seus versos ao invés de copiar Clarice Lispector.

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