Sentidos. Razão. Caminho

A cidade já não faz sentido. Os lugares não significam quase nada. O centro já não corre tanto. A lapa não tem mais o mesmo cheiro. A glória segue deserta, mas agora temida pela ausência. O catete já não tem pensa, ameno resedá fechado. Laranjeiras está se escondendo do largo do machado, que não faz mais hippies como antes. Flamengo volta a ser só um time. Que te traz lembranças difíceis de lidar. Difíceis de aceitar. Botafogo não tem mais brilho, nem música, nem som. Só o mar continua margeando a enseada, tao bela e refrescante em um passado recente. Aquelas pequenas ruas que só os íntimos. Conhecem voltam a ser só ruas. Apenas espaços por onde se transita. Ela já não mais caminha, tem rumo certo pra saudade e não quer mais melancolia. Chega de se ver em lágrimas. De sonhar. De desejar. Quer apenas ficar bem sem o cheiro ao qual tinha direito todos os dias. Quer ficar bem na linha do tempo. Quer ficar bem para voltar a lutar. Quer ficar bem para doar. Quer ficar bem. Não quer se entregar.

E no caminho pra casa as ruas perderam sentido. O sentimento guardado, se aberto, causa chuvas torrenciais por onde passa. A lapa agora só serve pra esquecer. Ali sentiu-se bem e sorriu. Dali agora foge o quanto pode. E se não pode se distrai com o que ha. O fervor e a pele que a tocam agora já é de outros. Muitos outros. Vazios, só com tesão, álcool e vontade. Sem amor, sem qualquer pudor, sem significado. Sem limites. Sem sentido.

A dor ainda é dela. E só dela. Ele, já curado, segue uma vida parada e sem qualquer poesia. A cidade já não tem sentido. Nada tem sentido. Pra ela o que não se explica precisa de incansáveis reflexões. Pra ele, sem sentido também serve.

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