secreta

Ela não quer esconder seus passos. Mas também exibir não é o caminho. O fato é que saber de sua jornada, suas escolhas, seus trancos e barrancos, seus sorrisos e prazeres não é mais direito de quem decidiu se afastar. Não quer se esconder, não quer aparecer. Está confusa. Por onde começar a andar sem ter seus passos vigiados? A que mundo pertencer se o real não existe mais? Em que pista dançar? Em que mar se jogar?

Não quer que ele saiba das suas falhas, e nem dos seus acertos. Quer manter secreta sua vontade, quer que os sentimentos sejam só seus. Se chora, se ri, se tranquiliza, não quer que ele note, que ele veja e que ouça. Já não quer mais falar com ele. Evita qualquer extensão de assunto. Não vai dizer que a saudade volta, mas também não vai dizer que não. Hoje chega à conclusão de que a confusão não era sua. Não pode ser culpada, sempre falou de si e de tudo. Mas agora quer silêncio, quer distância. E quer também ser poupada. Não sabe do que ele faz, não faz o que ele sabe, faz ela o que ele não sabe. E nem vai saber.

Acalenta o fervor no laço dos lençóis. Evita contato, falar e ouvir seu nome. Já não é mais seu preferido, quer outros gostos, rostos, cheiros, sentidos. Não quer gritar o que sente. Já não sabe mais o que sente, guarda pra si o direito à dúvida. Pra que controlar um momento que sequer foi escolhido por ela? Apenas vive, sente, transforma, revive, faz, brilha, reluz, dança, voa…

Sabe que é capaz. Já vive sem. O tempo está passando. E apenas uma certeza ela tem: quem perde é ele. O que é dela, ela busca, conquista e encoraja o peito pra garantir. É sua própria dona como sempre foi. Mas agora não se policia. Apenas sente. E faz. E vai. Erra e acerta. E quem perde é ele.

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