é só o tempo

Calma. Não te apressa. Não corre e não foge. É só o tempo mostrando a cara. O fim, o começo, o durante. É tudo ele. Quando disse que iria embora o silêncio pairou. Se vai, não sei. Mas quer e não quer. Sente a dúvida que sentira anos atrás, ainda criança num corpo adulto, com medo de atravessar o sinal. Enfrentou, atravessou, se jogou, fez amor, fez sexo, fez amizades e inimizades. Não sabe ser meio termo. Quente ou frio, feliz ou triste, vida ou morte. Talvez isso assuste quem está ao redor, impede quem tem medo de se aproximar. Mas quem se aproxima, ama ou odeia. E o sentimento é o mesmo.

O tempo continua passando, gritando e sussurrando coisas. É o mano velho que traz sabedoria e nostalgia. Traz sentimento, mas também leva embora. É o tempo mostrando a cara. É o amor que tem que acabar. Está decidido. Vai embora.

Não necessariamente de corpo. E de certa forma, seu coração já foi. Está nas nuvens, no chão, não mão de quem quiser pegar, segurar e sentir. Estava também nas mãos de quem queria apenas esmagar, mas agora já não está mais. Os rumos são outros e não levam mais àqueles contos. É o tempo mostrando a cara.

Ainda tem amor o bastante. Tem muito. E tem paixão. Mas e se acabar? Já não se responsabiliza pelo que sente. Apenas sente. E volta, e entorta e se arreta e se aquieta. Inquieta não consegue viver. Precisa do controle nas mãos. Comete seus erros e se empenha em consertar, oferece a alma em troca. E ainda tem amor. De quem mais precisa-se? Do tempo? Alguns dizem pra deixar ele dizer. No entanto, só quer vê-lo calar. É o tempo mostrando a cara. A alma. O sangue. O fim.

Pelo menos um dia dormirá em paz. Quando esse dia chegar, se lembrará do tempo. Ele já terá mostrado a cara. E a que veio. Levou embora, buscou, carregou. Adeus.

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