Instante

Não era o momento. Ainda doía pra escrever aquelas palavras. Tanto que chorou até dormir. Ouviu o som das lagrimas e só soube lamentar. Achava que conseguiria transformar aquelas palavras em realidade quando ditas, escritas, lidas e relidas. Não era o momento. A explosão de dias de  contágio pela vida não fora suficiente pra apagar suas memorias.

Palavras doces ecoavam na mente sempre que pensava no que ficou pra trás. Embora não seja sua escolha, se sentia responsável. Era firme nos passos e andava pra frente como nunca. Sentia os calcanhares tocarem o chão mesmo com sapatos nos pés. Vivia um transe de idéias-sonhos-desconfianças-duvidas-paixão-tesão-tristeza-sonho-sono. Se lembrava das vezes que ouviu que era pra sempre. Agora a dor plena virava cinzas que germinariam na árdua tarefa de se recompor.  Não era o momento.

Se prepara para o dia de se jogar de novo. Sente medo de esquecer e medo de lembrar. Sente medo dos trejeitos, dos defeitos, dos acordos, das posições, da saudade. Sente medo do formato que a vida ganhou. Sente-se a pessoa mais corajosa do mundo. Ter coragem não é não ter medo. Ter medo é ter algo pra desafiar. Coragem é o enfrentamento.

Sente medo de como vai acordar amanhã. Mas quer acordar. A noite cinza entra pela janela e deposita o cansaço do dia nos seus ombros. Não aguenta mais a dor física, que já se anestesiou nas marcas coloridas da sua pele. Transborda, sangra, leva embora e invade. Porque um dia será o momento.

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