Move on, get over

Coração solto em algum lugar desconhecido, espaço afora talvez. Mas ela o jogou contra o vento pra que pudesse olhar pra frente. E olhou. Andou, chorou, deixou de comer, sorriu, dormiu, acordou sem saber que horas eram, dormiu achando que ainda era cedo. Mas olhou. Secou as lágrimas, levantou do chão, desdobrou os joelhos antes rígidos pelo descostume. Acostumou-se. Ergueu seu céu sobre novos suspiros. Riu, cantou, virou noites. E sonhou, como sonhou! Acordou um dia pensando que tudo tinha passado. E passou.

Superou seu próprio mundo de desespero para reabrir um horizonte nunca antes visto. E como brilha, irradia e reluz. Reflete nela, que faz questão de espalhar por aí o poder que recebeu das mãos dos que estenderam-nas para levantá-la. Se olhou. Se amou. Ainda sem coração, agora só sabe o que é amor quando se trata de si. Ternura nos olhos, coração distante, olhar ligeiro. A brisa foi retomada para si. Trazida com esforços como quem empurra caminhões na estrada escura. Empurrou a carga. Vou trazida à tona.

Sim. E ela seguiu em frente. Não é mais conduzida por um único olhar. Se deixa olhar e ser olhada. Sorri, dá de ombros e faz questão dos queridos em volta. Hoje, desceu pela primeira vez no ponto que costumava. Mas não andou pra frente. Girou 90 graus à esquerda, respirou, olhou pra cima de rabo de olho e pensou: a luz está acesa. Mas não espera mais por ela. E ela nem sabe o que faz acesa. Apenas retoma o foco do olhar e caminha. E caminha sem pena.

Todos os dias, respira fundo e cogita sofrer. Mas como se o coração fora arremessado com tanta força no vendaval? Um dia volta. Mas não pro sofrimento relutar. Volta pra abrir, escancarar o que há de melhor na vida: a coragem.

É só com ela que se segue em frente. E quem te dá? Perguntou a si mesma. Aquele que veio em primeiro à mente é o seu porto-seguro. Cuidou dele como ele cuida dela. E sentiu o poder que isso é capaz de trazer.

A covardia é virtude dos que choram calados. É também mais obscuro que a maldade. Cuidado. Livre-se dela e de quem a traz pra você.

Um dia volta? Sim. Só o coração. Pleno de tudo o que há de melhor. E o que vem dentro? Só o tempo pode movê-la para saber. Ela seguiu em frente.

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