Por um amor insubstituível e o pedido da reconquista

– Sou infeliz. Disse com os olhos marejados.

Ela, no entanto, silenciou. Preferiu apenas abaixar levemente a cabeça esperando ouvir o que estava por vir.

Foi então que gemidos de choro vieram dele, sabendo que estava transformando uma noite qualquer no fim da alegria daquela moça. Estava em prantos, doía nele também. Mas o descontrole emocional da garota, sentindo-se completamente assustada, abandonada e sem chão, tomou conta do ambiente. Ele nunca tinha a visto daquele jeito. Ela, sem entender ao certo o que estava acontecendo. A atitude parecia estranha, para ela, nada estava sob suspeita. A felicidade era certa. O amor, eterno. 

Questionando-se sobre tudo, um filme passara em sua cabeça. Passou a arrepender-se de ter iniciado a conversa. Só queria voltar no tempo e resgatar o abraço, o colo, o beijo, o sexo, os mimos. Ela queria mais. Queria pra sempre. Para ele, era apenas o fim. Foram horas de desespero, ela nada via a sua frente. Apenas uma imagem esbranquiçada daquilo que um dia fora seu maior bem, sua maior virtude, seu vício do bem. Ela, que um dia fora chamada de heroína, estava, então, entregue à dor do momento. Imaginando o que seria aquilo. Pesadelo sem fim.

Agora quem acordaria ao seu lado todos os dias só pensando em dormir mais, com os olhos fechadinhos, mas mesmo assim lindo? Pra quem ela diria “oi” debruçando sobre os ombros, com o queixo acolhido pelo pescoço quente? Quem lhe pediria, ainda com olhar noturno, para abrir as janelas, clarear o quarto, desligar o que fazia esfriar? Quem vai dizer “já estou indo” quando ela pedir um colo e uma companhia para o descanso da tarde?

Mais do que tudo: o que ela faz com o abraço – e com o coração – que ganhou o seu formato?

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