Para alguém especial :)

Bom, a gente esbarra nos ombros, olha nos olhos e nunca pensa: um dia essa pessoa não vai mais estar sempre aqui.


Porque é isso, a gente sempre tende a viver na zona de conforto e achar que todo mundo vai estar sempre ali, com a gente, do nosso ladinho. no máximo uma ida pra Argentina, um sumiço pra Mauá, uma fugida pro Alegrete. Mas sempre volta. E aí o Joaquina, o Palhinha, o Palaflou ficam todos mais alegres. O Fornalha lucra mais e as madrugadas têm mais sentido.


Às vezes a gente pensa: será que essa pessoa foi com a minha cara? E foi. E ela fica feliz em te ver feliz. E mesmo não sendo íntimo logo de cara, demorando a se adaptar, entende que seu jeito é assim, aceita seu radicalismo, e o melhor, conversa tranquilamente sobre ele. Argentina, Venezuela, Cuba… pautas de papos que a gente vai aprendendo sem perceber. E na humildade, a gente vai conquistando e sendo conquistado no dia a dia, em cada almoço, em cada cafezinho.


E aí um dia você se pega percebendo que a pessoa te conquistou. E você não sabe se ela queria isso, se ela vai te levar pra vida como vc vai levá-la. Mas vc sabe que é de irmão. Que é de verdade e que, muitas vezes, os pensamentos vão se encaixar, mesmo distantes.


Os cafés não vão ser mais os mesmos, as madrugas também não. O Joaquina, o Palaflou, o Fornalha… nada disso vai ter a mesma cara. Vai ter uma cara nova, no início triste e sem graça, mas depois, acostumada. E sempre mandando vibes boas, quentura no coração.


A cuia do chimarrão não vai mais estar sobre a mesa. As roupas no varal, agora, são só de mulheres. Cuecas coloridas, perfume masculino no banheiro e um iphone sempre apitando? Nada disso mais vai estar ali. Mas as coisas do coração, essas vão ficar dentro de cada um. O cantinho do cigarro não vai mais ser igual. Ninguém mais vai desentupir o ralo e nem deixar a descarga prontinha pro próximo. Mas o apê, esse vai estar sempre aberto! E digo mais, sem trancar, leve a chave, ela é sua, jamais vai poder ser de outro alguém. Porque a casa será sempre sua. Aqui, na Venezuela, no Alegrete ou em Porto. O apê é nosso, mesmo que daqui a pouco ele não seja mais a nossa morada.


Escrevi tudo isso pra dizer que estava realmente contando com meus biscoitos de amendoim. Quando soube que não tinha volta, quão enorme não foi minha decepção?


Encerro como vc, na brincadeira, na piadinha. Mas com características também todas minhas: com lágrimas nos olhos, nó na garganta e a certeza do “Até breve, amigo”. Volta logo. Traz meus biscoitos. Sua alegria, seu sotaque e a cerveja Polar também serão bem vindos. Volta de mala e cuia sempre que precisar. Estamos com vc, do seu lado, sempre que fechar os olhos e pensar “nossoapê”.


PS: sempre vou me culpar por ter demorado a perceber como vc é especial!


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