“Então me explique você que sabe tudo”

Acabo de voltar de uma consulta de rotina com uma endocrinologista. Eu tenho plano de saúde, mas, obviamente, o primeiro sufoco foi conseguir uma data e um horário com um profissional. Gasta-se uma hora (ao menos) do dia em busca de alguém que (aparentemente está te fazendo um favor) possa te atender. Já passei por alguns endócrinos porque descobri, em 2008, o maldito vilão feminino: hipotireodismo. No começo foi estranho, vi no meu exame de sangue uma coisa que quase me matou do coração. Uma taxa que, em adultos, fica entre 0,3 e 5, no meu exame, estava 17! Essa coisa se chama TSH, e é o desespero de todas as pessoas com hipotireoidismo. Para quem tem a doença, o TSH deve ficar entre 2 e 3. Isso porque, durante os ciclos menstruais e hormonais comuns do organismo, essa taxa pode variar.

Pois bem. A médica que me tratou de início é excelente, super conceituada. Mas…não aceita plano de saúde. Além de cobrar os olhos da cara (+ fígado, rins etc.) pela consulta. Paguei uma, duas, três, mas na quarta vez não teve mais jeito, tive que procurar outro médico através do plano de saúde. E aí, nesse meio tempo, fui engordando e engordando. A dose do remédio passou de 25 para 75 (gradativamente). No começo, me senti bem, TSH controladinho, T4 livre também. Só que de 6 em 6 meses a gente tem que voltar ao médico. E pelo plano de saúde, meu amigo, nem sempre você consegue manter o vínculo com seu médico. Eles entram e saem dos convênios, nunca têm horários para os planos de saúde. E eu tenho um critério: não me consulto com gente que faz permuta com laboratório privado.

E a saga continua até que vim parar na médica de hoje. Marquei às 16h, fui atendida às 17:15h. Até aí, ok, entendo que as coisas atrasam e tal. Entrei na sala, a doutora não me disse nem um “olá”. Bufando de tempos em tempos, ela me perguntou “o que você veio fazer aqui?”. Respondi: por onde você quer que eu comece?

E ela: Pelo que te trouxe aqui, né, porque pra me visitar é que não foi.

Ok. Grossa. Tem gente grossa no mundo, é assim mesmo. Aceitei, expliquei meu caso. E então as perguntas (naturais) começaram. Foi aí que me senti num departamento de assistência social de filme americano. Perguntas mecânicas, sem nenhuma explicação. E aí entreguei o cartãozinho para que ela pudesse acessar o resultado dos meus exames via internet. Odeio imprimir coisas que depois vão para o lixo, ainda mais coisas que ficam arquivadas na internet. Ela vira-se e diz: você nunca mais faça isso, porque se eu for ligar o computador para checar exame de todo mundo…

Respondi: pois então não desligue o computador.

A essa hora já estava com a paciência em queda vertiginosa. E aí veio a máxima: olha, você além de pesar 100kgs, está diabética, ta?

Me revoltei e respondi: não estou não.

Ela: Então como você me explica essa glicose altíssima? [minha glicose está em 95]

Respondi: explico. Fiz um exame chamado curva glicêmica, que me comprovou que não sou diabética.

Foi aí que a doutora soltou sua pérola maior de sabedoria: OLHA, SERIA MELHOR PRA VOCÊ QUE VOCÊ ESTIVESSE DIABÉTICA, PORQUE AÍ ERA SÓ TOMAR REMÉDIO PARA DIABETES E EMAGRECER.

Respirei fundo. Não respondi. E dali em diante lacrei os ouvidos. Como poderia escutar uma ENDOCRINOLOGISTA que diz que seria MELHOR pra alguém estar diabético. Depois disso, uma sequência de erros se somou aos absurdos já relatados. Dobrar a dose de hormônios em uma semana não me parece uma prescrição adequada. Fora a simpatia (quase amor) da doutora.

Aliás, seu consultório era repleto de: santos, anjos, nossas senhoras, bíblias, terços, imagens. Mostrando o quanto ela é devota e cristã. Ta certo…

Continuo minha jornada atrás de um bom endocrinologista. Que me ajude a emagrecer com saúde, tratar meu hipotireodismo de forma responsável e, acima de tudo, que me trate como humana, e não como público-alvo da indústria farmacêutica.

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