Arms raised in a “V”

No ano passado eu surtei. E as pessoas às vezes pensam que quem surta é maluco, ou violento. Às vezes é. Mas às vezes não. Eu tenho um histórico de altos e baixos na vida. Já passei muito tempo deprimida, já passei anos e anos muito feliz. Mas o ano passado foi punk, foi fora do normal. Ser demitida de um trabalho por questões políticas (outra coisa pra contar em outro post), não conseguir outro trabalho, voltar a depender da família, amigos morando longe, novos amigos causando problemas, velhos amigos totalmente distantes, brigas, problemas, stress, vontade de morrer. É uma coisa comum na vida de jovens como a gente, cheios de sonhos, problemas, perspectivas e, muitas vezes, pouca oportunidade. Eu só descobri isso procurando um profissional. Foi ele quem me disse o que fazer, como melhorar, como fazer. E foi ele quem me disse que muitas mulheres estavam na mesma situação psicológica que eu: irritação, tristeza, agressividade e muita, muita vontade de não fazer nada!

Acho que as mulheres da nossa geração (mais ou menos) estão enfrentando problemas diferentes dos que enfrentavam antes. Nós sempre sofremos com o machismo, com a violência, com a falta de liberdade sobre a nossa vida e o nosso corpo. Mas agora, nós sofremos isso com novas tecnologias. Mulheres retocadas em fotografias nos deixam pensando como conquistar o corpo perfeito (que não existe, foi criado por uma máquina manipulada por artistas do photoshop). Atrizes, modelos, executivas bem sucedidas nos deixam pensando em como conquistar o tal sucesso profissional (que também não existe, é uma luta constante e diária pela realização). Homens e a sociedade em geral (controlada, em sua maioria, por eles) nos oprimem com a tal máxima dos direitos iguais, deveres iguais, questionando a gentileza, que deixa de  ser um valor humano e passa a ser uma disputa entre homens e mulheres. “Elas não querem mais que a gente abra a porta do carro, pague o cinema etc.”. Nós realmente podemos abrir a porta do carro e podemos também pagar o cinema. Inclusive, nós trocamos tudo isso por coisas mais objetivas e simples: nos deixem livres, com nossos direitos, nossas lutas, nossas conquistas, nossos corpos.

Eu continuo a caminhada, tentando melhorar a cada dia. Mas tenho passado por dias difíceis. A falta de emprego representa uma completa falta de controle sobre a vida. Quem não trabalha, só pensa em como pagar as contas do mês que vem.

É o caminho árduo em busca do equilíbrio entre a vida real, a utopia e os sonhos. A vida real são as contas a pagar; os sonhos, nosso desejo de mudança, a luta diária por um mundo melhor, mais bonito. E a utopia… por essa sim vale a pena viver: é o horizonte que nos faz caminhar. Viva Galeano!

*Arms raised in a V é um trecho da música Jeremy, do Pearl Jam :)

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